ALPINISMO
Por: Deise Maia
Alpinismo é a prática de subir pelas montanhas através de caminhadas ou escaladas. Consiste em alcançarcumes e pontos íngremes, bastante difíceis, cujo acesso só é possível através de técnicas de subida e muito treinamento. É um esporte que vem ganhando cada vez mais adeptos, tor
nado-se bastante difundido no Brasil, tanto que tem recebido outra denominação - montanhismo - como prova de sua popularidade.
Alpinismo vem da palavra Alpes, que é um grande sistema de cordilheiras localizado na Europa. Embora haja indícios de realização de escalada desde a antiga Grécia, o esporte só passou a ser praticado efetivamente a partir do século XVIII quando o médico francês Michel Paccard (em 1786) subiu pela primeira vez o Monte Branco - ponto culminante dos Alpes, com cerca de 4.808 metros de altitude. Daí o nome alpinismo, cujas técnicas de escalada passaram por processos de aperfeiçoamento, sendo que até o ano de 1860 já havia sido conquistado os principais cumes dos Alpes. Vários outros montes foram conquistados a partir de então, como a Cordilheira dos Andes (a mais alta das Américas) - cujo ponto culminante é o pico do Aconcágua com cerca de 6.960 metros de altitude e também o Monte Everest (pico mais elevado do mundo, localizado na Cordilheira do Himalaia na Ásia) com cerca de 8.850 metros de altitude.
No Brasil, assim como o rapel – técnica de descida com cordas , o alpinismo ganhou impulso a partir das primeiras escaladas do “Dedo de Deus” - um dos picos mais altos
da Serra dos Órgãos - localizado no Rio de Janeiro. Apesar do alpinismo estar associado aos Alpes - local frio e de muita neve - hoje ele é praticado em qualquer de montanha, com qualquer tipo de clima, não sendo necessário locais que contenham neve. Por isso, para nós brasileiros, o montanhismo seria a prática de atividades em regiões montanhosas, como caminhadas e acampamentos, porém sem a necessidade de equipamentos específicos. Já o alpinismo refere-se ao ato de escalar uma montanha, seja nos Alpes ou em qualquer outro lugar, usando para isso equipamentos técnicos, como calçados especiais, cordas e grampos, equipamentos estes tanto mais sofisticados quanto maior a dificuldade a ser enfrentada.
Este tipo de esporte exige muito do corpo e da mente do praticante, principalmente no que diz respeito ao controle da respiração, pois quanto mais alto for o cume a ser conquistado menor será a quantidade de oxigênio disponível no ar. Assim, deve-se gastar o mínimo de energia possível durante a subida.
Aqui no Brasil só são possíveis as escaladas em pedras, por não nevar em nosso país. As escaladas são classificadas em níveis de dificuldade que varia entre 1 e 8 graus, podendo ser naturais ou arificiais:
ESCALADA NATURAL ou LIVRE – é a subida feita pelo praticante utilizando-se apenas seus próprios recursos - braços e pernas - como apoio e as próprias formações físicas das rochas para subir. Utilizam-se alguns equipamentos por questões de segurança pessoal, mas que nada influem no desempenho da subida.
ESCALADA ARTIFICIAL – utilizada quando não é possível a escalada natural. Assim, o praticante utiliza-se de cordas, mosquetões, grampos, dentre outros acessórios para lhe auxiliarem na subida ao cume.
Um dos fatores que mais tem aumentado a popularidade e a procura pelo alpinismo é a realização de campeonatos de escalada em paredes artificiais (in door). São paredes construídas
especialmente para esse fim. As academias de ginásticas são grandes concentradoras deste tipo de modalidade, onde são simulados vários tipos de obstáculos como os que são enfrentados pelos praticantes do alpinismo em rochas verdadeiras. É também uma maneira dos alpinistas estarem treinando escaladas para se manterem com um bom preparo físico. Anualmente é realizado o Campeonato Mundial de Escalada In Door, na Europa, estudando-se inclusive a possibilidade de introduzir esta modalidade nos esportes olímpicos.A altitude é um fator muito importante com relação a este tipo de esporte, pois quanto mais alto for o pico, menos oxigênio se tem no ar, o que causa alguns sintomas e desconfortos e se negligenciado pode até causar a morte. O site supermundo.com lista os sintomas que cada praticante sente e que varia conforme a altitude, veja:
“2 800 metros - Até aí, a maioria das pessoas não tem problemas de altitude. No máximo, pode sentir cansaço ou dor de cabeça leve.
Acima de 2 800 metros - A partir dessa altitude é comum acontecer o mal agudo de montanha, que pode atingir qualquer pessoa. É caracterizado por dor de cabeça, fadiga, falta de ar, distúrbios do sono e náusea.
3 000 a 5 500 metros - É nesta faixa que ocorre a maioria dos casos de edema pulmonar. Os sintomas — falta de ar, tosse forte, letargia e febre baixa — geralmente se desenvolvem depois de 36 a 72 horas na altitude. Pode acontecer também o edema cerebral.
Acima de 5 500 metros - A partir daí, diminui muito a capacidade de aclimatação (o mesmo que adaptação – grifo nosso) do organismo. Se uma pessoa permanecer nessa altitude, começa a degradação ou a perda de aclimatação, devido à pouca quantidade de oxigênio no ar.
8 000 metros - No ar, há apenas um terço do oxigênio que existe ao nível do mar. Acima desta altitude, como no Everest (8 848 metros), uma pessoa aclimatada só ficaria dois ou três dias, antes que a falta de oxigênio o levasse à morte”.
O alpinismo é um esporte bastante perigoso e já ocorreram div
ersos acidentes sendo a maioria deles fruto de falta de conhecimento e imprudência por parte dos praticantes. Portanto, quem quiser ingressar nesse esporte de superação das alturas, deve procurar uma agência e um bom guia de alpinismo para orientação. É um esporte coletivo e que de maneira alguma deve ser praticado sozinho, principalmente em locais desconhecidos. Além disso, um alpinista deve gostar de montanhas, natureza e não temer altura.
O que tem atraído adeptos a este esporte, além de seus aspectos aventureiro e radical, é a liberdade e o maior contato com a natureza que ele propicia, condições que não são oferecidas nas grandes aglomerações urbanas. Portanto, o alpinismo é uma ótima opção para quem quer sair da rotina e da vida agitada das grandes cidades que cada vez mais formam adultos estressados e depressivos com a rotina do dia-a-dia. Assim, o esporte está ao alcance de quem ama aventura e busca a liberdade para construir o seu próprio caminho longe da poluição, trânsito, engarrafamentos e buzinas. É uma boa oportunidade para quem quer apreciar belas paisagens e se sentir parte da natureza.
Fontes:
www.niclevicz.com.br
www.supermundo.com.br
www.visitgreece.gr
www.uol.com.br
www.emdiv.com.br