PÓLO
Por: Deise Maia
O pólo é um esporte disputado por duas equipes montadas a cavalo de quatro jogadores cada, que através de golpes com um taco, tentam marcar o maior número de gols possíves no arco (baliza) do adversário. Os jogos são divididos em quatro tempos
de sete minutos (chukkas), e com intervalos de 3 minutos entre eles. Embora não seja muito divulgado e conhecido no Brasil, ele é um esporte arrojado, empolgante e prazeroso.
Muitos fatores influenciam o jogo, como por exemplo, as condições pessoais do jogador, os materiais e equipamentos utilizados nas partidas, as caracteristicas das montadas, etc. É um jogo que requer muita coragem, inteligência e técnica.
A origem do Polo é misteriosa e indefinida porém há evidências de que tenha surgido na Ásia por volta de 600 anos antes de Cristo no Tibete, onde existia o costume de carregar bastões para caçar ratos-almiscarados. Os caçadores iam à cavalo, em busca dos ratos para matá-los, sendo que na falta dos ratos, durante o verão, o costume prosseguia como divertimento utilizando-se uma bola coberta de pele, o que ficou conhecido como “Pulu”.
Os soldados ingleses foram os primeiros ocidentais a terem contato com o esporte por estarem na Índia na época de sua colonização. Em 1859 foi criado o 1º Clube de Polo, The Retreat at Silchar, formado pelo capitão Robert Stewart, conhecido como o pai do Polo moderno. Assim, o Polo passou a ser conhecido por todo o mundo tornando-se cada vez mais popular principalmente na Argentina, onde adquiriu vários adeptos e é hoje o país onde se encontram os melhores jogadores do mundo, além de produzir os melhores cavalos para a prática do esporte. Geralmente são usados animais da raça Petizo de Polo, que ao ser cruzada com o PSI (Puro Sangue Inglês), gera animais maiores e mais velozes.
O Polo só chegou no Brasil por volta da década de 30, quando empresários estusiastas trouxeram o esporte da Europa. Teve seu auge nos anos 70, através de facilitações do governo brasileiro em importação de cavalos qualificados e estímulo de intercâmbio com criadores e jogadores argentinos. Hoje, o Brasil conta com aproximadamente 500 participantes do esporte, sendo que metade deles está em Sã
o Paulo - Estado que possui o maior centro de concentração de campos de polo no país. Também é praticado com regularidade em mais de 50 países como Estados Unidos, México, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Chile, entre outros.
A eterna disputa entre Brasil x Argentina não se limita ao futebol. Dos gramados dos estádios, o desafio também invadiu os campos de polo eqüestre. Prova disso é que assim como a Argentina, o Brasil também é tricampeão mundial na categoria, título conquistado pela Seleção Brasileira de Polo, em Chantilly (França), ao vencer o 7º Campeonato Mundial de Pólo da Federação Internacional de Pólo (FIP), em setembro de 2004.
Este esporte, que é jogado a galope, é também um dos mais rápidos do mundo e tem como objetivo acertar, com o auxílio de um taco de aproximadamente 3 metros, uma bola com cerca de 8 centímetros de diâmetro na baliza do adversário e, por consequência, marcar gols. A cada gol marcado, as equipes devem mudar de campo, assim como também de baliza. As balizas medem cerca de 7,30 metros de largura por 3 metros de altura. Já o campo mede 275 metros de comprimento por 180 metros de largura devendo ainda possuir uma zona de segurança, um terreno livre fora das limitações do campo, também chamado de tábuas. Os cavalos usados para este tipo de esporte medem em torno de 1,52 a 1,60 metros de altura.
O jogo de Polo é disputado por duas equipes de quatro jogadores, numerados de acordo com as posições que ocupam em campo. Os números 1 e 2 significa que eles são atacantes, 3 indica o meio de campo e o 4 indica o defensor. A partida de polo é d
ividida entre 4 e 6 períodos chamados chukkas, que duram cerca de 7 minutos corridos, com 20 segundos de tolerância. Há um intervalo entre cada chukka de 3 minutos, sendo que quando se chega à metade do jogo, há uma pausa maior de 5 minutos; a duração total da disputa é de aproximadamente uma hora. A cada chukka os cavalos devem ser trocados, podendo ser utilizados por no máximo duas vezes no mesmo jogo.
Dois juízes, também montados a cavalo, controlam o jogo, tendo um terceiro árbitro que fica fora do campo, para auxiliá-los em caso de lances duvidosos, e um cronometrista que é o responsável por marcar o tempo de jogo.
Os jogadores são avaliados e classificados por handicaps que variam de 0 a 10. Handicaps é um valor dado a cada jogador, tendo como base o seu desempenho e número de vitórias durante o ano. Com isso, as partida de Polo podem ser realizadas de duas maneiras: aberto ou handicap.
ABERTO – A forma mais tradicional de se jogar em que as duas equipes iniciam o jogo com os placares zerados e o jogo transcorre normalmente;
HANDICAP – Nessa forma são somados os handicaps dos jogadores de cada time e o time que obtiver o menor valor em handicaps tem o direito de iniciar a partida com a diferença de handicaps convertida em gols, maneira pela qual torna o jogo mais justo entre os t
imes de níveis diferentes.
Em qualquer uma das duas maneiras de se jogar Polo, vence a partida o time que marcar mais gols. É um jogo regido nacionalmente pela Confederação Brasileira de Polo e pela Federação Internacional de Polo em nível mundial.
O não cumprimento das regras do Polo e o cometimento de cruzas, quando o jogador cruza a frente do seu adversário, são proibidos e qualquer outro tipo de irregularidade no jogo poderá resultar em “penais” - espécie de falta no jogo do Polo. São 10 tipos de penais, que são aplicados conforme descrições na tabela abaixo:
PENAIS |
PENAIS | CONDIÇÕES DE APLICAÇÃO |
PENAL 1 | Gol penal - Concede-se um gol à equipe prejudicada (atacante). Em seguida, bola às tábuas, no local da infração. - Condições para sua aplicação: 1) Infração perigosa ou deliberada; 2) Para salvar um gol; 3) Nas proximidades de um gol. |
PENAL 2 | 30 jardas Tiro livre o gol pode ser local ou 30 jardas a frente do gol (a critério do Capitão da equipe atacante). A condição de se aplicar o Penal 2 é quando houver uma falta entre as 40 jardas e o gol. A equipe defensora (infratora) atrás da linha de fundo. Nenhum jogador poderá sair por entre as balizas. A equipe atacante (prejudicada), atrás da linha da bola (entre a bola e o gol). Se na opinião do juiz houver uma infração na hora da cobrança do Penal 2 (jogador a menos de 30 jardas da bola; jogador defendeu a bola passando entre as balizas; jogador entrou a menos de 30 jardas antes do taco na bola) e se a bola ia na direção e seria gol, o juiz dará gol, caso vá para fora, haverá nova cobrança (Penal 7). |
PENAL 3 | 40 jardas. Tiro livre em frente ao gol. Será aplicado na falta entre as 60 e 40 jardas. Equipe defensora atrás da linha defendendo, equipe atacante atrás da linha da bola. |
PENAL 4 | 60 jardas Tiro livre a gol em frente ao gol. Será aplicada na falta entre o meio do campo e as 60 jardas (quando no ataque). Colocações das equipes: - Defensora a 30 jardas da bola; - Atacante onde desejar. |
PENAL 5 | Penal 5A – Penal local. Tiro livre, no local da falta, nuca a menos de 5m das tábuas; Qualquer infração às regras, em qualquer local; Colocação das equipes como no Penal 4. Penal 5B Tiro livre do meio do campo, em frente ao gol. Quando a equipe sofre a falta estava no seu campo, estava atacando. A colocação das equipes como no Penal 4. |
PENAL 6 | Corner Tiro livre, perpendicular a linha de fundo onde saiu a bola, no caso de um jogador defensor taquear a bola ou deixar que ela toque em seu cavalo ou nele mesmo e que isto resulte em sua saída pela linha de fundo. Colocação das equipes como no Penal 4. |
PENAL 7 | Penal 7A – Outro tiro Defensores infringindo às regras na cobrança das penalidades 2-3-4-5 ou 6, será concedido aos atacantes prejudicando outro livre, salvo estes tenham feito o gol, ou se na opinião do juiz a bola fosse entrar. Penal 7B – tiro para os defensores Se os atacantes não executarem corretamente as penalidades 2 ou 3, se concederá aos defensores um tiro livre do meio de suas balizas. Atacantes a 30 jardas da bola. Defensores onde queiram. Penal 7C – tiro a 30 jardas – na saída de fundo: Atacantes cruzam a linha das 30 jardas antes da bola ser golpeada pelos defensores; se concederá aos defensores outro tiro a 30 jardas, frente ao local do primeiro tiro da linha de fundo. Atacantes a 30 jardas da bola. Defensores onde queiram. Penal 7D- As duas equipes erradas Quando os dois times infringirem, simultaneamente, às regras que regem as penalidades 2 ou 3: será concedido outro tiro do mesmo lugar e nas mesmas condições. Penal 7E- demora para cobrar o penal O tempo para ser cobrado o penal fica à critério e bom senso dos juízes. O juiz deve chamar a atenção e aplicar a formação em linha dos jogadores ( regra de campo nr 23) . |
PENAL 8 | Saída pelo juiz (Penal 8) Caso de demora injustificada ao efetuaram a saída de fundo, o juiz advertirá, se não for obedecido, lançara a bola do local da saída e perpendicular à linha das balizas. |
PENAL 9 | a) cavalo desqualificado - cavalos cegos ou baldosos b) Cavalo retirado - com equipamentos não permitidos c) Jogador retirado - usando material não permitido Em ambos os casos o jogo reiniciará sem esperar que os elementos errados solucionem seus problemas. |
PENAL 10 | Jogador excluído Devido uma falta perigosa e deliberada ou por conduta prejudicial ao jogo, tendo o time prejudicado que continuar o jogo com apenas três jogadores. |
OBS: Os penais 2,3,4 e 6 , deverão ser executados de um só golpe ( salvo no penal 2 quando se opta para executá-lo do lugar). Em consequência , o jogador que executará o penal não poderá fazer um drible preparatório, para si mesmo ou para um companheiro. Uma infração a esta regra será cobrada uma "bola às tábuas".
* JARDA: unidade de medida inglesa que equivale a 91,44 centímetros.
É um jogo em que, além de cuidar da manutenção dos cavalos, são necessários equipamentos como:
BOTAS – geralmente de couro; tem que ser resistente e ao mesmo tempo maleável;
ESPORAS – usadas para sinalizar e dar direção ao cavalo, elas devem possuir rosetas sem pontas para não machucar o animal;
CAPACETE – serve para proteger a cabeça, podendo ter ou não uma grade protetora do rosto;
CAMISA DO TIME – deve ser difente da camisa do adversário e deve conter o número de cada jogador;
JOELHEIRAS – podem ser de couro ou de neoprene (espécie de borra sintética de grande resistência), mas ambas servem para proteger os joelhos de uma pechada (trombada ou choque) ou uma bolada;
SELA DE POLO – parecida com as selas comuns, mas feita especialmente para o esporte. Seu ponto de gravidade é um pouco voltado para trás;
ESTRIBO DE POLO – espécie de aro de metal que serve de apoio para o pé do cavaleiro; devem possuir as bordas arredondadas para não ferir o cavalo do adversário;
CABEÇADA DE POLO – instrumento utilizado na cabeça do cavalo que deve ser bastante resistente;
BOLEIRA – instrumento também utilizado no cavalo que serve para guardar as bolas de reposição;
TACOS DE POLO – são feitos de cana da Índia ou de fibra. É dividido em 3 partes: punho (local onde se coloca a mão para segurá-lo), cana (parte mais longa e flexível) e charuto (base do taco, onde a bola é rebatida);
ASCENSOR- espécie de enbocadura que possui uma ação elevadora menos agressiva para a boca do cavalo;
LÓRO – correia dupla, afivelada à sela ou ao selim que serve para sustentar o estribo. Deve ser ref
orçado com nylon ou lona devido ao tempo em que o jogador permanece suspenso sobre os estribos.
Apesar de tantos acessórios utilizados e uma impressão complicada que temos do Polo, ele é um jogo bastante fácil, divertido e é um ótimo exercício a ser praticado, pois exige a movimentação de praticamente todo o corpo, em especial as pernas e parte da cintura, como em todo esporte que envolve equitação, exigindo do atleta muita flexibilidade, elasticidade, concentração e agilidade.
Emocionante e prazeroso, vale a pena conhecer e praticar este esporte viril e elegante, marcado pela mais pura adrenalina.
Fontes:
www.polobrasil.com.br
www.wikipedia.org.br
www.horseonline.com.br
www.hipismobrasil.com.br
www.educacaofisica.com.br
www.diarioweb.com.br
http://www.geocities.com/colosseum/bench/2228/polo.html